Módulo:
Atendimento Educacional Especializado – DMU
Cursista: Amiraldo Silva dos Santos
Turma: T29a
Data: 20/04/2014
Surdocegueira
Vs. Deficiência Múltipla
Dentre as demandas do atendimento educacional
especializado nos deparamos com alunos com deficiência múltipla e/ou surdocegueira.
Para melhor entendermos uma ou outra, fazemos a seguinte análise:
A
surdocegueira é a incapacidade total ou parcial de audição e visão,
simultaneamente. Para Lagati (1995 in Bosco, Mesquita e Maia, 2010), “surdocegueira é uma condição que
apresenta outras dificuldades além daquelas causadas pela cegueira e pela
surdez”. Já o termo “deficiência múltipla tem
sido utilizado, com frequência, para caracterizar o conjunto de duas ou mais
deficiências associadas, de ordem física, sensorial, mental, emocional ou de
comportamento social”, (GODÓI, 2006, p. 13).
Partindo desse pressuposto,
podemos asserçar, no que tange às suas semelhanças nas estratégias de ensino à
questão do ambiente que deve (ou deveria) ser planejado e organizado adequadamente
para inserção da pessoa com surdocegueira e/ou deficiência múltipla,
favorecendo assim, a interação com outras pessoas e objetos. Isso auxilia a
realizar antecipações, obter pistas e escolher com quem quer estar e quais as
atividades que deseja fazer, assevera Godói (2006). Outro fator que deve ser
levado em conta vai além das atitudes positivas e práticas sociais não discriminatórias.
Vale notar, também, as oportunidades de experiências, formação continuada, de aprendizagem,
e principalmente das estratégias para que possam ter êxito na escola e
comunidade.
O avanço no processo de
desenvolvimento e aprendizagem das crianças com surdocegueira e/ou deficiência
múltipla compreende uma ação coletiva maior, intersetorialidade e responsabilidade
social compartilhada. Requer colaboração entre educação, saúde e assistência
social: ação complementar dos profissionais nas diferentes áreas do conhecimento
(neurologia, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia escolar)
quando necessário, fornecendo informações e orientações específicas para o atendimento
às peculiaridades decorrentes de cada deficiência. (GODÓI, 2006, p. 14)
Por conseguinte, se torna
importante essas ações integradas de educação, saúde e assistência social, pois
são imprescindíveis para que as necessidades educativas específicas sejam
atendidas de maneira inclusiva e não segregada.
A surdogueira e a deficiência múltipla,
também possuem diferenças que apesar de dicotomizá-las têm a mesma objetividade
a ser almejada: a educação para a autonomia. A surdocegueira pode ser congênita
ou adquirida e não é deficiência múltipla. Segundo McInnes (1999, in Bosco, Mesquita e Maia, 2010),
as pessoas surdocegas estão divididas em quatro categorias: pessoas que eram
cegas e se tornaram surdas; que eram surdos e se tornaram cegos; pessoas que se
tornaram surdocegos; pessoas que nasceram surdocegos, ou se tornaram surdocegos
antes de terem aprendido alguma linguagem. Já as pessoas com deficiência
múltipla apresentam características específicas, individuais, singulares e não
apresentam necessariamente os mesmos tipos de deficiência, podem apresentar
cegueira e deficiência mental; deficiência auditiva e deficiência mental;
deficiência auditiva e autismo e outros.
As principais necessidades
básicas tanto para a surdogueira quanto para a deficiência múltipla está na
comunicação que por alguma consequência neo e pós natal não conseguem
desenvolver, às vezes não conseguem desenvolvê-la e, utilizam outros meios e
mecanismos para a comunicabilidade.
Todas as pessoas se comunicam,
ainda que em diferentes níveis de simbolização e com formas de comunicação
diversas; assim, considera-se que qualquer comportamento poderá ser uma
tentativa de comunicação. Dessa maneira, é preciso estar atento ao contexto no
qual os comportamentos, as manifestações ocorrem e sua freqüência, para assim compreender
melhor o que o aluno tem a intenção de comunicar e responder. (BOSCO, MESQUITA
& MAIA, 2010, p. 11)
Todas as interações de
comunicação e atividades de aprendizagem devem respeitar a individualidade e a
dignidade de cada aluno com deficiência múltipla, assevera Bosco, Mesquita e
Maia (2010). Nesse contexto, é necessário que o professor do AEE e do ensino
regular busquem alternativas que melhor inclua de fato e de direito estes alunos
nas atividades escolares, visando a lhes proporcionar autonomia e
independência. Outro fator a ser considerado é o nível de desenvolvimento, as
possibilidades funcionais, de comunicação, interação social e de aprendizagem
que determinam as necessidades educacionais dessas pessoas, assevera Godói
(2006).
O aluno surdocego usa o sentido
tátil como forma de se comunicar e experimentar emocionalmente às sensações das
coisas/objetos. Aqui, é importante que o professor (do AEE e do ensino comum)
tentar motivar o aluno para tocar e desfrutar do às sensações por ele
percebidas. É necessário incentivar e ensinar a pessoa com surdocegueira a de
como usar sua visão e audição residuais, assim como outros sentidos remanescentes,
provendo-as de informações sensoriais necessárias que suscitem sua curiosidade
(BOSCO, MESQUITA & MAIA, 2010, p. 09).
Promover uma educação
inclusiva de fato é tarefa complexa, é promover condições apropriadas para o
ser humano (independente de sua condição física, intelectual, sensorial) se
desenvolver e aprender, deveras. É propiciar oportunidades para que ele adquira
habilidades e competências e desenvolva sua autonomia e independência. Isso
exige da escola e dos profissionais da educação preparo e constante
aperfeiçoamento (formação continuada). É preciso, também que a escola receba
pessoas com necessidades educacionais especiais e, reconheça as diferenças nas possibilidades
de aprendizagem e desenvolvimento destes alunos.
Portanto, esperamos ter
esclarecido a dicotomia entre surdocegueira e deficiência múltipla para
viabilização dessa clientela no processo de inclusão, pois nesse processo, é
essencial a cooperação entre profissionais e familiares, integrando uma mesma
equipe para o desenvolvimento de uma educação para a autonomia.
REFERÊNCIA:
BOSCO, Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.;
MAIA, Shirley R. A Educação Especial na
Perspectiva da Inclusão Escolar - Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla. Coletânea UFC-MEC, 2010.
GODÓI, Ana Maria. Educação infantil: saberes e práticas da inclusão: dificuldades
acentuadas de aprendizagem: Deficiência Múltipla. [4. ed.] – Associação de Assistência à Criança
Deficiente – AACD... [et. al.]. – Brasília: MEC, Secretaria de Educação
Especial, 2006.